Aconteceu/Cerimônia: – Cápsula do tempo do Diario de Pernambuco é aberta após um século durante celebração dos 200 anos (*)
Cápsula do tempo do Diario de Pernambuco é aberta após um século durante celebração dos 200 anos
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A cápsula foi guardada durante um século e estava no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP)






Na última sexta-feira (7), para celebrar os 200 anos do Diario de Pernambuco, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) revelou uma cápsula do tempo guardada há um século para marcar, justamente, os 100 anos do jornal. O momento marcou um dos pontos altos das comemorações do bicentenário do jornal mais antigo em circulação da América Latina.
Dentro da cápsula, cuidadosamente preservada, foram encontrados objetos que simbolizam a rotina e a cultura da época, como um abridor de cartas, uma caneta e exemplares originais do Diario de Pernambuco publicados na época. As páginas amareladas trazem notícias sobre a própria festa do centenário do veículo, realizada em 1925, registrando a relevância que o periódico já possuía na história pernambucana.

Entre os itens, também havia um documento sobre a Confederação do Equador, uma fotografia do mobiliário do jornal, fotos da família de Narsson Figueiredo e uma carta escrita por ele. “Nasci no Povoado São João dos Bombos, município da Victória – Pernambuco, numa quinta-feira, aos 14 de abril de 1887, primogênito e legítimo filho do Cap. Eng. Sergio Figueirêdo e Silva e Maria Figueirêdo e Silva. Vim para o Recife em 2 novembro de 1901 como telegrafista da Estrada de Ferro Central (hoje Great Western) até março de 1906, quando deixei a Estrada, entrei para a Livraria Francesa, à rua 1º de Março nº 9 (esta Livraria acabou e o prédio reformado é hoje uma casa de café e frutas do país)”, diz a carta escrita a punho.
A descoberta emocionou os presentes, que puderam observar de perto os itens que atravessaram gerações. A cápsula estava exposta em uma vitrine semelhante a um cofre de vidro. A peça que armazenava os itens centenários, feita de madeira de cedro, foi aberta em três etapas. A primeira consistiu na retirada dos parafusos, que não eram manipulados há cem anos. Em seguida, a tampa foi removida, até então, não se sabia se ela estava fechada por rosca, lacre ou encaixe.
Por fim, os arames que envolviam a estrutura foram cortados, revelando os objetos. Como não havia espaço suficiente para retirar os itens, foi necessário abrir a cápsula ao meio com um abridor de lata. O evento lotou o auditório e reuniu autoridades, historiadores, jornalistas e admiradores da imprensa pernambucana. A cerimônia foi conduzida pelo presidente do IAHGP, George Cabral, que destacou a importância histórica do Diario como testemunha e protagonista dos grandes acontecimentos do estado e do país ao longo de dois séculos.
Em um ambiente de celebração, Cabral apresentou a cápsula do tempo, que foi aberta diante do público e da imprensa. O público acompanhou o momento com entusiasmo e a redescoberta dos itens, marcados pelo tempo, foi recebida com aplausos. A cerimônia contou com transmissão para quem não conseguiu entrar no auditório, lotado desde cedo, e que também acompanhou o ato histórico da parte externa do prédio.
Entre as autoridades presentes, além do presidente do IAHGP, George Cabral, estavam o presidente do Diario de Pernambuco, Carlos Vital; o superintendente do jornal, Diogo Vital; professor Lourival Holanda, presidente da Academia Pernambucana de Letras; Marcelo Canuto, presidente da Fundação de Cultura da Cidade do Recife e também João Baltar Freire, presidente da CEPE.
O ato contou ainda com representantes do meio acadêmico e de entidades históricas do Estado: Manoel Moraes representou o chefe de gabinete do reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), professor Pedro Gonçalves; Plínio Vitor esteve presente pelo Conselho de Patrimônio do Círculo Histórico de Olinda; e Vanessa Sial representou o Instituto Histórico de Goiana.






O presidente do Diario de Pernambuco, Carlos Frederico Vital, celebrou os 200 anos do jornal e comentou a surpresa e a ansiedade durante a abertura da cápsula centenária. “E esse era o grande momento da minha vida, como advogado e empresário que adquiriu um jornal. E a emoção que sinto é como lembrar de estar na minha casa e ir e ler o Diario de Pernambuco. A foto de Narsson Figueiredo que estava armazenada na cápsula é uma coisa maravilhosa e trouxe uma emoção ainda maior. Imagine as pessoas que tiveram a ideia de fazer isso há 100 anos. Esse momento de abertura da cápsula vai entrar para a história, mas eu acho que a grande história foi eles que construíram”, afirmou o presidente.
Vital também destacou a importância da circulação do jornal impresso como forma de manter viva a tradição do periódico. “Eu acho que o papel nunca vai acabar. As redes sociais e o digital são um caminho que já está com a nova geração. Mas acho que o papel ainda é muito forte”, complementou. O presidente do IAHGP, George Cabral, ressaltou que os itens deixados dentro da cápsula representam o momento vivido pelo Diario há um século.
“Nós encontramos dentro da cápsula um conjunto muito denso de papéis. Então, em um primeiro momento, fomos abrindo esses papéis e identificamos o livro Nordeste, de Gilberto Freyre. Mas, à medida que fomos avançando, apareceram outras coisas, como fotografias e uma carta pessoal. Narsson Figueiredo deixou para a gente um testemunho muito completo do que ele vivia naquele momento”, frisou.
A neta de Narsson Figueiredo agradeceu pela preservação da cápsula e pelo cuidado em celebrar a data histórica. “Para a família, foi de grande importância o Instituto ter preservado o desejo do nosso avô de que houvesse essa abertura. Isso significa que devemos dar importância à história. Narsson acreditava que o Diario ia durar mais 100 anos e teve essa ideia porque era uma pessoa à frente de seu tempo, inteligente, irreverente e com atitudes que sempre nos surpreendiam”, registrou.
Fonte: Diário de Pernambuco – Adelmo Lucena e Larissa Aguiar













