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Movimento Cultural / Poema: – Aquarela das Combatentes de Tejucupapo – por Audálio Alves (*)

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AQUARELA DAS COMBATENTES ANÔNIMAS

DE TEJUCOPAPO

 

  • “…à mesma solidão das cores em que habitam. / Um dia, / chegados ao papel, perguntaremos: / Lutastes? Com que armas? — A fome, a fé / e a solidão de um salto que esquecemos..

                                                            AUDÁLIO ALVES

  •  Nasceu em Poção, no dia 2 de junho de 1930, época que a cidade era distrito de Pesqueira. Fez o curso primário e seguiu para Pesqueira, onde cursou o ginásio no Cristo Rei, transferindo-se para Recife, estudou no Ginásio Pernambucano e de lá fez o curso de direito pela Faculdade de Direito de Recife e especializou-se em línguas Neolatinas, na Universidade Católica de Pernambuco.
  • Exerceu o magistério e a advocacia, sendo assistente jurídico do Ministério do Trabalho.
  • Enveredou na poesia, revelando-se um poeta de grande sensibilidade e um dos melhores da Geração 50, onde faziam parte: Mauro Mota, Carlos Pena Filho, Edmir Domingues e outros…
  • Escreveu os seguintes livros: Caminhos da Solidão; Alicerces da Solidão (1959-1962); Olha da Sede (1961); Canto Agrário (1962)Romanceiro do Canto Soberano (1966); Canto da Matéria Viva (1982); Canto por Enquanto (1982). 
  • Membro da APL Academia Pernambucana de Letras, ocupante da Cadeira 8e Patrono da APLA Academia Pesqueirense de Letras e Artes, Cadeira 12. Fonte: Gilvan de Almeida Maciel no livro Patronos da APLA.
  •  Vejo-as em torno, ou sucessivamente

recuam sonhos às camadas do ar?

São ventos ou são aves esse bando

de circunstâncias leves a passar?

Em derredor, palmeiras e canários

— ou ares de plumagens amarelas.

Em mim, sem sono, o iniciado sonho, e,

no espaço, a porta de retorno delas.

  •  Vê-las? Vê-las assim: a entrar e sair

sem sepultura, e,

entrando e saindo, todavia vê-las

fixas e eternas, nítidas à luz

desse verão suspenso na gravura.

Vê-las à cor desse papel de que elas,

fitando ao longe o campo em que lutaram,

avançam à luz estanque da aquarela.

  •  Seus nomes? Tão só nos dá o convívio

à mesma solidão das cores em que habitam.

Um dia,

chegados ao papel, perguntaremos:

Lutastes? Com que armas? — A fome, a fé

e a solidão de um salto que esquecemos.

Mas, sem nome e sem armas, hoje vibram

e à fúria do regresso se equilibram.

  •  Vê-las? Vê-las assim: a entrar e sair.

Pois vê-las, a exemplo das flores e dos frutos

— olhos de espreita do verão que passa —,
é não as ver,

no eterno voo mutilado, garças:

como a fazer dos próprios seios, léxico,

para inscrever sua glória na fumaça.

  •  Vejo-as em voo e, entanto, nem reluto:

Morreram já por mim, morro por elas

— que, ao contemplá-las, meu olhar as nutre.

Sob meus pés, mais grávidas e belas,

estão sentadas sobre um cais de ossos,

e aguardam-nos de branco as caravelas.

(*) Autor: Audálio Alves é pesqueirense, jornalista, escritor, poeta, Advogado, diretor do suplemento literário do Jornal do Commercio. É Patrono da Cadeira 13 da Apla – Academia Pesqueirense de Letras e Artes. 


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