Movimento Cultural: – 46 anos sem Vinícius de Moraes (*)
46 anos sem Vinícius de Moraes, saudade poeta…

Dois dias após a morte do poeta, Carlos Drummond de Andrade publicou no Jornal do Brasil “A música popular entra no paraíso”, uma linda e bem-humorada homenagem ao amigo em forma de alegoria: São Pedro tenta convencer o Criador a deixar entrar no céu “seu servo Vinicius, Menestrel da Gávea e dos amores inumeráveis”. No final do texto, o santo consegue seu feito e acontece a emocionante cena da chegada do poeta ao firmamento:
“De vários pontos, vêm-se aproximando Sinhô, Pixinguinha, Heitor dos Prazeres, Ciro Monteiro, Noel Rosa, Dolores Duran, Orfeu, Eurídice, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Portinari, Murilo Mendes, Maysa, Lúcio Rangel, Tia Ciata, Santa Cecília, Antônio Maria, Bach, Ernesto Nazareth, Jayme Ovalle, Chiquinha Gonzaga e outros e outros e outros que não caberiam neste relato mas cabem na imensidão do céu e do som, e unem-se ao coral:
Teu caminho é de paz e de amor. Abre os teus braços e canta a última esperança:
a esperança divina de amar em paz!”


Saudade, poeta.
POEMA DE NATAL
(Vinicius de Moraes)
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
(*) Fonte: Página Viniciusdemoraesno Instagran













