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Movimento Cultural / Poesia: – O Evangelho dos Torres – Homenagem a Everardo Maciel – por Edvonaldo Torres (*)

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EVANGELHO DOS TORRES

Sobre Everardo Maciel  – “…É orgulho de sua casa, / de sua terra, / e de um Pernambuco / que ainda acredita / que dignidade não se aprende em discurso, / mas em rotina…”

E acontece, segundo o Evangelho dos Torres,

que quando os homens passaram a confundir

barulho com grandeza

e esperteza com virtude,

a memória precisou aprender

a falar baixo

para não desaparecer.

 

E é então que se reconhece um homem

que não disputou holofotes,

não frequentou a pressa do aplauso,

nem vestiu a pressa do poder.

 

Chama-se Everardo Maciel.

 

Sua grandeza

não se mede pelo tamanho dos cargos

— que já cumpriram seu tempo —

mas pela espessura do silêncio

com que atravessou

os corredores do Estado.

 

Onde muitos viam funções,

ele via responsabilidade.

Onde outros buscavam vantagens,

ele exercia limite.

 

Foi como viga antiga

num prédio que já não respeita

peso nem cálculo:

ninguém a nota,

mas tudo desaba

se ela cede.

 

É orgulho de sua casa,

de sua terra,

e de um Pernambuco

que ainda acredita

que dignidade não se aprende

em discurso,

mas em rotina.

 

Serviu ao país

como quem serve

a um altar invisível:

sem promessa de recompensa,

sem certeza de reconhecimento,

sabendo apenas

que o erro tem consequências

e que a correção,

mesmo solitária,

sustenta o mundo.

 

Encerrado o ofício,

não se encerrou o exemplo.

 

Pertence à rara linhagem

dos que resistem

não contra homens,

mas contra

a degradação do sentido.

 

Num tempo em que

o serviço público

foi confundido com trincheira,

ele foi ponte

— e a ponte permanece

mesmo depois

que o construtor se afasta.

 

Num tempo em que

a técnica se divorciou da ética,

ele foi

casamento discreto

entre saber e caráter.

 

E quando seu aniversário é lembrado,

não é o tempo

que conta os anos:

é a história

que pede pausa

para agradecer.

 

Porque há homens

que deixam o cargo,

mas não deixam a medida.

 

Permanecem

como farol

em porto esquecido,

como bússola

que não se move

mesmo quando

o mapa mente.

 

E assim se escreve,

segundo o Evangelho dos Torres:

que Everardo Maciel é grande,

não por dominar o poder,

mas por saber

quando deixá-lo

sem jamais

ter-se ajoelhado a ele.

 

E isso basta

para atravessar o tempo

— estando vivo

e inteiro nele.

(*) Autor: Edvonaldo Bezerra Torres – É pesqueirense, empresário e poeta, nas horas vagas…


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