Para o ministro Paulo Guedes: Juros baixos e dólar alto - o novo normal

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020 09:29
Categoria: Economia e Negócios


As declarações foram dadas em entrevista a Fernando Rodrigues, apresentador do programa Poder em Foco no SBT
Blog do Abelhudo

Juros baixos e dólar alto são “o novo normal” na economia, diz Paulo Guedes

‘Democracia não corre risco’ - Encargos ‘destroem’ empregos - PIB de 2022: em torno de 4% - Eletrobras: venda é fundamental - Está feliz? Cargo é uma ‘missão’

O ministro Paulo Guedes (Economia) declarou em entrevista ao Poder em Foco que o dólar alto e os juros baixos são “o novo normal” da economia brasileira. Para ele, o país saiu do abismo fiscal com a aprovação da reforma da Previdência, e deu espaço para inflação e taxa básica Selic menores.

Essa combinação maldita de juros altos e câmbio baixo foi revertida. O Brasil, em vez de ser um país que tem um fiscal frouxo e apertado só no freio monetário, agora controla os gastos do governo, porque gasta muito e gasta mal. Nós queremos que o dinheiro fique no bolso do povo”, declarou Guedes.

As declarações foram dadas em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, apresentador do programa Poder em Foco, uma parceria editorial do SBT com o jornal digital Poder360. A gravação foi realizada na última 3ª feira, dia 14 de janeiro de 2020.

Referência para balizar os juros no Brasil, a taxa básica Selic está no menor nível da história, aos 4,5% ao ano. O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central sinalizou que o percentual ainda pode cair ao longo de 2020, para 4,25% anuais, e retornar para o nível atual até o fim do ano.

Os juros estão baixos porque a inflação está controlada. O CMN (Conselho Monetário Nacional) estabeleceu uma meta de 4% para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano. Economistas entrevistados pelo BC estimam, porém, que o percentual ficará abaixo disso, em 3,58%. O Ministério da Economia projeta que a taxa terminará o ano em 3,62%.

O índice de preços se mantém em patamares controlados mesmo com a valorização do dólar frente ao real. A moeda norte-americana chegou à cotação de R$ 4,26 em novembro de 2019. A saída de dólares do Brasil somou US$ 44,7 bilhões em 2019, o que corresponde ao maior volume em 38 anos –e explica parte do encarecimento da divisa.

O ministro disse que o Brasil erra ao ter altos encargos trabalhistas que, para ele, são “armas de destruição em massa” de postos de trabalho. Guedes afirmou que o país tem cerca de 40 milhões “sem emprego com carteira assinada“, referindo-se à informalidade.

O governo federal publicou uma medida provisória criando o Programa Verde Amarelo, que busca inserir os mais jovens no mercado de trabalho. A proposta é reduzir obrigações trabalhistas do empregador e direitos dos empregados para fomentar a criação de mais vagas.

A MP encontrou resistência no Congresso. Deve ter difícil discussão entre os congressistas e a equipe econômica em 2020. Um dos trechos mais contestados é a taxação do seguro desemprego. A cobrança foi defendida pelo ministro, que compara quem recebe o benefício aos empregados com renda de 1 salário mínimo.“Se o sujeito trabalha, ganha R$ 1.000 e paga 1 impostozinho, por que se ele não trabalha e também ganha R$ 1.000, ele não vai pagar imposto?”, questionou Guedes.

O ministro também defendeu três reformas, o Pacto Federativo, a PEC dos Fundos e a PEC emergencial, encaminhadas ao Congresso em novembro de 2019. Os textos tramitam no Senado e estão sendo relatados por Márcio Bittar (MDB-AC)Otto Alencar (PSD-BA) e Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), respectivamente.

Na prática, as propostas dividem verba da União com Estados e municípios, liberam recursos retidos e criam mecanismos legais para segurar os gastos em momentos de maior pressão nos orçamentos. Guedes diz esperar que os temas avancem no Congresso, mesmo em ano eleitoral, porque as pautas teriam apelo para conseguir mais votos.

O ministro afirmou que as expectativas para o crescimento da economia brasileira podem ser “abaladas” em caso de descontinuidade das reformas. O Ministério da Economia projeta expansão de 2,4% do PIB em 2020. Com reformas, em 2022 o Brasil pode estar crescendo 4% ao ano, estima Guedes.

O ministro também listou a reforma administrativa como projeto importante para o início deste ano, dizendo que pode ajudar os políticos a obter votos nas disputas das eleições municipais.

Ao tratar das privatizações, o ministro afirmou que é preciso desestatizar “as maiores” empresas para ter um efeito fiscal maior. O governo tem uma meta de arrecadar R$ 150 bilhões com privatizações e desinvestimentos neste ano.

O chefe da equipe econômica acha que, se a Eletrobras não for vendida em 2020, será preciso remanejar recursos do Orçamento da União, sobrando menos dinheiro para investimentos em educação e saúde. É preciso tomar uma decisão nos próximos 2 ou 3 meses, diz. Acrescenta que é necessário empenho conjunto dos presidentes do Senado e Câmara, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, e da República, Jair Bolsonaro.

O ministro não demonstrou ter restrições à presença de estatais estrangeiras em leilões de empresas públicas brasileiras. Para ele, não há problema, por exemplo, uma estatal chinesa adquirir a CEB (Companhia Energética de Brasília), que fornece energia elétrica para a capital do país e, consequentemente, para o Palácio do Planalto.

“Não há nenhum preconceito com a estatal daqui ou de lá (…) Se vier empresa americana, chinesa, japonesa e fornecer o saneamento, educação, ou a energia elétrica que Brasília precisa, isso que interessa”.

A equipe econômica também deve adotar medidas para simplificar a atuação de empresas que vendem produtos ou serviços para fora do país, a exemplo do que outros países têm feito no comércio digital. O desafio para isso, indica o chefe do Ministério da Economia, é mudar a cultura corporativista de órgãos do governo, dentre eles, a Receita Federal: parar de exigir que um estrangeiro em outro país tenha CPF para comprar 1 livro ou algum outro produto de sites brasileiros.

A Receita Federal pergunta para um chinês: cadê seu CPF? Chinês não tem CPF. Isso é um exemplo de uma barreira burocrática idiota, que prejudica os brasileiros. Os brasileiros compram tudo lá fora e eles não podem comprar aqui dentro. É um exemplo do que nós chamamos da captura por interesses corporativos”.

Sobre a reforma tributária, disse que o governo vai encaminhar as propostas na comissão especial mista que acompanha o tema. Os congressistas devem fundir com outras duas PECs que tramitam, uma no Senado e a outra na Câmara.

Para Guedes, é preciso criar uma base ampla de tributação para conseguir diminuir os impostos sobre encargos trabalhistas. Está em estudo um imposto sobre transações. O ministro diz não se tratar de nova versão da antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que enfrenta resistência no Congresso e na sociedade.

Ele prometeu promover uma simplificação e redução de impostos, além da tributação de dividendos.

Guedes também disse que, ao contrário do noticiado pela mídia no início do mandato do presidente Jair Bolsonaro, a democracia não esteve em risco. De acordo com ele, a imprensa não percebeu o surgimento de uma “aliança política entre conservadores e liberais”, formada pelas redes sociais, e se equivocou ao transmitir para o exterior uma imagem “injusta” da democracia brasileira.

“Nunca houve esse risco na minha opinião. Houve um erro de avaliação brutal ou um problema de aprisionamento cognitivo. A esquerda estava tão bem instalada no poder que, quando chegou uma alternativa de liberais e conservadores, declarou o fim do mundo”, disse.

Leia a Íntegra e assista ao vídeo AQUI - https://www.poder360.com.br/poder-em-foco/juros-baixos-e-dolar-alto-sao-o-novo-normal-na-economia-diz-paulo-guedes/

 


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