A prostituição no Brasil Holandês

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Quinta-feira, 09 de Abril de 2020 07:55
Categoria: História; Curiosidades; Outros


A propagação da lues, como também é denominada a sífilis, era propiciado pelo imenso bordel a que fora transformado o Recife de então.
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A prostituição no Brasil Holandês

Da promiscuidade do dia a dia, agravada com a chegada de um número cada vez maior de aventureiros, dentre os quais algumas prostitutas, a sífilis veio a tornar-se uma verdadeira epidemia no Brasil Holandês, obrigando cientistas, como o médico Willem Piso e Georg Marcgrave, autores do livro clássico Historia Naturalis Brasiliae (1648), buscar a cura junto à flora medicinal indígena e aos médicos portugueses, que recomendavam para a infecção por gonorréia o sumo fermentado da cana, através do qual, “fica-se curado dentro de oito dias”.

A propagação da lues, como também é denominada a sífilis, era propiciado pelo imenso bordel a que fora transformado o Recife de então. Tal preocupação vem acontecer logo nos primeiros anos do Brasil Holandês, que recebeu verdadeiros “carregamentos de mulheres perdidas”, como se depreende das cartas do Conselho do Recife, como a de 20 de dezembro de 1635, endereçada à Câmara da Zelândia.



Muitas dessas “mulheres fáceis”, como a elas se referiam os documentos, aparecem com os seus nomes mais conhecidos: Cristinazinha Harmens, Anna Loenen, Janneken Jans, Maria Roothaer (Maria Cabelo de Fogo), Agniet, Elizabeth (apelidada de a Admirael), Maria Krack, Jannetgien Hendricx, Wyburch van den Cruze, Sara Douwaerts (apelidada de Senhorita Leiden), havendo outras duas conhecidas por Chalupa Negra e Sijtgen, segundo demonstra José Antônio Gonsalves de Mello em Tempo dos Flamengos.

Sobre o estado de promiscuidade atingido pela capital do Brasil Holandês, comenta Hermann Wätjen “que pelas ruas do Recife andava muita gente pouco ajuizada e que aí todas as portas se achavam abertas ao vício. Os soldados arrebanhados de todos os campos de batalhas da Europa, para arriscarem diariamente a vida e a saúde numa campanha de guerrilhas, contra um inimigo ardiloso e prático, queriam gozar à rédea solta os dias de folga”.

O mesmo proceder  que acontecia com os marinheiros, após travessias de muitas semanas no mar, quase sempre envolvidos em batalhas e refregas, se estendia aos homens procedentes dos engenhos de açúcar, que se encontravam no Recife de passagem, longe da vista de suas famílias.

Todos eles, soldados, marinheiros, capitães, agricultores, lotavam os botequins e albergues, ingerindo grandes quantidades de vinho e outras bebidas destiladas. Eram portugueses, holandeses, negros, indígenas, turcos, judeus, mazombos, mulatos, mamelucos, crioulos, ingleses, franceses, alemães, italianos, cujo panorama de excessos, segundo Pierre Moreau não pode ser descrito por simples palavras.

Autor e Fonte: Leonardo Dantas Silva - Escritor e historiador - https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2020/04/a-prostituicao-no-brasil-holandes.html  -  Fotos Albert Eckout e do Google.


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