Crônica: Sinfonia pela vida

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Terça-feira, 05 de Maio de 2020 16:36
Categoria: Movimento Cultural - Cultura, Eventos e festas


Levamos na bagagem, pipocas, amendoim, xerém e assim, alimentamos os pássaros que vivem em contínua sinfonia, fazendo festa no Paraíso.
Blog do Abelhudo

Sinfonia pela Vida

Todos os anos, no mês de janeiro viajo a Peroba, para descansar e realimentar a vontade de galgar os degraus da existência e viver com qualidade humana.

Quando chegamos ao Village Galés, somos recebidos com muita alegria por parte dos funcionários, dirigentes e moradores temporários já conhecidos nossos há mais de quinze anos.

É prazeroso ser  recebido com  carinho e afeto, por todos que fazem aquela comunidade e esta prática se deve e se mantém devido a reciprocidade de uma amizade pura e verdadeira que foi criada ao longo do tempo e realimentada com o passar dos anos. Tanto que nos envolvemos e convivemos como uma grande família. Caminhando na praia, pescando no rio e no mar, rindo de tudo e até da gente, passeando nos jardins, colhendo flores e frutos etc

Sem ferir os costumes da comunidade nativa, fomos implementando outros hábitos os quais foram bem aceitos e se tornaram prática diária por parte dos moradores, funcionários e visitantes.

Além dos brindes aos nativos, levamos também os brindes à fauna, especialmente aos pássaros cantantes que embelezam a região com suas cores, voos, carinhos e principalmente seus maravilhosos e encantadores cantos.

Levamos na bagagem, pipocas, amendoim, xerém e assim, alimentamos os pássaros que vivem em contínua sinfonia, fazendo festa no Paraíso.

Entre tantas espécies, uma se destaca “Os Sabiás”, pois estes parecem que ensaiam o ano inteiro (todos os anos) e quando estamos a chegar, somos recepcionados com um verdadeiro concerto musical que provoca uma grande e melodiosa satisfação.

Entramos sorrindo no nosso paraíso.

Durante a nossa estada, diariamente alimentamos os pássaros que nos cercam com toda intimidade e em todas as horas do dia.

Quando da nossa despedida o canto soa com tristeza e aquele estado de melancolia nos acompanha durante o trajeto de volta pra casa e nossa realidade.

Ano 2020.

Diariamente a  Orquestra estava maior e mais afinada.  Logo após Espetáculo do Nascer do Sol, apresentavam o Concerto Matinal às 06:00 horas da  manhã, nos acompanhavam o dia inteiro, quando estávamos lendo, escrevendo, almoçando, tomando banho na piscina etc.  e às 17:30 horas apresentavam o Concerto Vespertino, que se encerra quando o Criador nos premia com o Deslumbrante espetáculo do Por do Sol.

Nossa estada foi maravilhosa, pois até as nossas doces lembranças foram mais fortes e adornadas por todas as belezas da natureza que deram um toque especial ao nosso paraíso.

No ultimo dia tudo foi especialmente diferente. O Raiar do Sol foi belíssimo numa conjugação de todas as cores, a Orquestra dos Sabiás fizeram uma interpretação fora do comum. Os raios do Sol da manha pareciam bailar ao ritmo da Orquestra.

Harmonicamente o Sol aquecia e ficava mais brando intermitentemente, como a facilitar para todos nós, banhos da piscina e na praia, aproveitasse ao máximo aquele dia de verão.

As crianças gritavam mais alto, corriam mais, se abraçavam mais...

Os adultos sorriam e se confraternizavam como uma verdadeira e amada família que se despediam e marcavam, como o rótulo do sem falta, o encontro do próximo ano.

Os jovens se beijavam dando vivas ao mundo. Todos trocavam juras de amor e compromisso contínuo com a grande família.

Um Divino Espetáculo no Paraíso!

Repentinamente veio uma forte chuva de verão e todos correram para se abrigar nos seus chalés

Abrigamos-nos na varanda lateral do nosso chalé e ficamos a esperar a para da chuva para voltarmos ao Parque aquático. Sorriamos felizes por estarmos ali vivendo aquela alegria, onde até as nossas  lembranças criam vidas e lamentamos a distancia dos que por motivos superiores se fizeram  ausências,  jamais esquecidas.

Repentinamente fomos surpreendidos por um grande barulho que impactou o vidro da varanda. Olhamos e constatamos e uma tristeza nos envolveu.

Ali, inerte, estava o Sabiá que havíamos denominado de maestro e amigo. Ele me acompanhava por todo o condomínio e todos o chamavam de, o meu mascote.  A chuva ficou mais forte como se o céu estivesse a chorar a partida do nosso encantador amigo.

Quando a chuva passou, reinou no paraíso um silencio absoluto, como se todos tivessem combinado ofertar aquele tributo silencioso.

Peguei o meu amigo Maestro e o devolvi à natureza, pois senti que o que vem da natureza, a esta deve retornar.

Inexplicavelmente os outros sabiás, como se fora uma procissão, carregaram aquele corpo inerte para o infinito e eu fiquei ali, estático a assimilar o impacto do fato que transformou uma pura amizade em lembrança.

O maestro Sabiá Laranjeira partira para a eternidade.

Nas minhas noites, nos meus sonhos sinto e escuto O Concerto da Orquestra dos Sabiás, sob a regência do Meu Amigo e Maestro Sabiá Laranjeira.

 A finalização é SINFONIA PELA VIDA!

Simplesmente LINDO! ... Eterno!!

(*) Autor: Gera Santana - Geraldo Tenório Santana - é pesqueirense, radialista e cerimonislista, poeta, cronista e teatrólogo. É acadêmico da APLA - Academia Pesqueirense de Letras e Artes, membro de assosciação de literária é colaborador do Blog Oabelhudo.


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