Crônica de Marquinho Soares. A Invasão transformadora dos Caraciolos

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Terça-feira, 26 de Maio de 2020 15:06
Categoria: História; Curiosidades; Outros


Os jovens de férias. Eles revolucionaram a acanhada Sanharó daqueles tempos.
Blog do Abelhudo

A INVASÃO TRANSFORMADORA DOS “CARACIOLO”

Antes de discorrer propriamente sobre o tema acima referenciado, cabe-me fazer um preâmbulo.
Minha família quando se mudou da Av. Jurandir de Brito, onde eu nasci, residiu na Rua Coronel Júlio Nunes, nos anos 1960, no endereço correspondente à casa de Socorro Batista, atualmente.

Esta rua, juntamente com a rua Major Sátiro, formavam o coração da cidade.

(Praça Capitão Augusto Caraciolo. Foto extraída do álbum da gestão de Seulau 1949/52, quando da construção)

Desde sempre foram vocacionadas para o comércio, embora na época ainda predominassem as unidades residenciais.
A rua Major Sátiro abrigou o bar de Maria de São Bento (posteriormente demolido), um posto veterinário, as Casas José Araújo, um armazém de secos e molhados, sorveterias, a loja de Almeida, a Farmácia de Albino (Torres), uma sapataria, a sinuca de Nanam, a venda/padaria de Neto Avelino, a ANCARPE, a Prefeitura e Câmara de Vereadores, a Coletoria Estadual , o Clube Lítero Recreativo, o cinema, a barbearia de Moisés, um cartório, a venda de Sebastião Simão, a sede social do Grêmio, a padaria de Antônio Cordeiro, a venda de “Salta Caminho”, entre outros.

A Rua Coronel Júlio Nunes, por sua vez, abrigou a barbearia de Severino, o armazém de Estêvão Inácio, a venda de Paulo Muniz, a venda de Cazé, a fábrica de Aristides, a venda de Zé Monteiro.

Um dos moradores ilustres da rua Coronel Júlio Nunes era o Dr. Antônio de Pádua Couto Caraciolo (Tonico). Contígua à sua residência estava a de dona Lila, sua genitora.

Pois bem. Numa das férias de verão daqueles anos veio um grande grupo de jovens da capital, da família Caraciolo, e ficaram hospedados nessas residências.
Como eu morava ali por perto e tinha um bom entrosamento com Laplace e Marusa (filhos de Tonico/Leonie Caraciolo), pois muitos dos seus familiares eram amigos do meu pai, Amaro Soares, convivi estreitamente com o grupo: Anchieta, Augusto, Mércia e sua irmã, que chamávamos carinhosamente de Maga, Marco Antônio, Cláudio, Alexandre, Fred, Marco Túlio, Luiza, Leila , Jorge...

Eles revolucionaram a acanhada Sanharó daqueles tempos.

Por parte dos homens, Fred se destacou por tocar violão e embalar célebres noitadas na pequena e estreita praça às proximidades da casa de Tonico/Leonie.
Mas, foram as mulheres , capitaneadas pela exuberante Luiza, que mudaram definitivamente os costumes da cidade.

(As irmãs, Luiza e Leila Caraciolo)


Andavam a cavalo, pescavam, jogavam sinuca e billar (antes espaço exclusivo para homens), ping-pong, voleibol, dançavam incansavelmente nos “assustados”, distribuíam na maior espontaneidade abraços e beijos (fraternos). Entretanto, nada ficou tão gravado na minha memória quanto um pequeno detalhe: o episódio dos shorts.

As meninas de Sanharó usavam bermudas, que iam até o joelho.

Elas, as recifenses, desfilavam com minúsculos shorts.

Foi, então, que algumas meninas de Sanharó, para burlar o conservadorismo dos pais, começaram a diminuir as bermudas progressivamente.
Quando se homogeneizava a marca anterior nas pernas pelo sol elas subiam mais um pouco o “abanhado” das bermudas. Sucessivamente.
E, assim, no verão seguinte, quando as meninas da capital voltaram a Sanharó se surpreenderam.
“Marquinho, as meninas de Sanharó estão muito pra frente, né? Olha o tamanho dos shorts!”, disse-me uma delas.
Elas se inspiraram em vocês. Foram diminuindo pouco a pouco até chegar a este ponto. Agora, não dá pra vocês reagirem e diminuírem mais o de vocês , imagino, porque viraria biquíni”. (sonora gargalhada).
Quem estava por perto quis saber a razão da extemporânea manifestação.

“Vamos dançar?”, convidei eu à minha confidente.

Ao som de Tim Maia, com o seu “Coroné Antônio Bento”, deslizamos pelo salão nos livrando de dar explicações.

Saudades!!!

Autor: Marco Soares - Marco Aurélio Ferreira Soares. Sanharoense, engenheiro, professor, peta e cronista. É escritor e colaborador pioneiro do Blog Oabelhudo


Leia mais Sobre História; Curiosidades; Outros



Comente ou Compartilhe em Sua Rede Social