Getúlio Vargas - Deixo a vida para entrar na história. Um grande Estadista

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2020 11:11
Categoria: Crônica, História, Efemérides, Causos e casos


grande nome da história política brasileira foi o presidente que mais tempo ficou no poder. Cometeu suicídio em 1954.
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Getúlio Vargas

Há exatos 66 anos, Getúlio Vargas cometia suicídio no Rio de Janeiro

Getúlio Vargas – grande nome da história política brasileira – foi o presidente que mais tempo ficou no poder. Cometeu suicídio em 1954.

Getúlio Vargas, um dos grandes nomes da história recente do Brasil, foi militar, advogado e político. Tornou-se presidente do Brasil por meio da Revolução de 1930 e governou de maneira centralizadora, sendo forçado a renunciar quinze anos depois de ter assumido. Acabou cometendo suicídio, em 1954, durante uma intensa crise política.

Getúlio era o terceiro filho e tinha quatro irmãos: Viriato, Protásio, Spartacus e Benjamin. Ingressou na carreira militar com 16 anos e atuou em um batalhão de São Borja, mas acabou sendo expulso da corporação com 18 anos de idade. Por causa da possibilidade de um conflito com a Bolívia, em 1903, Vargas ingressou novamente no Exército, mas acabou pedindo baixa no fim daquele ano.

(Foto: Em 1911, Vargas casou-se com Darcy Sarmanho, filha de um estancieiro gaúcho)

Getúlio Dornelles Vargas liderou a Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha, e assumiu o Governo Provisório. De acordo com dossiê do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, mantido pela Fundação Getúlio Vargas, dois anos após a eclosão da Revolução Constitucionalista em São Paulo, ocorrida em 1932, foi promulgada a nova Constituição, e Vargas foi eleito presidente.

Em 1911, quando tinha 28 anos, casou-se com Darcy Lima Sarmanho, oriunda de uma família tradicional de São Borja (a família de Darcy também era de estancieiros). No casamento, Darcy tinha apenas 15 anos de idade. Desse casamento, nasceram LuteroJandiraAlziraManuel e Getúlio Filho.

(Foto: Getúlio Vargas (no centro da imagem com uma criança no colo) foi presidente do Brasil entre 1930-1945 e 1951-1954)

Trajetória política regional

A trajetória política de Vargas começou a nascer quando ele decidiu ingressar na Faculdade de Direito de Porto Alegre, em 1904. Durante a sua graduação, Vargas fez parte do Bloco Acadêmico Castilhista, o que lhe aproximou do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR). O candidato apoiado por Vargas – Carlos Barbosa Gonçalves – acabou elegendo-se presidente (governador) do Rio Grande do Sul.

A aproximação de Vargas com o PRR e com o grande nome desse partido no Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, foi extremamente importante porque garantiu a entrada de Vargas na política gaúcha. Em 1908, elegeu-se deputado estadual do Rio Grande do Sul e abandonou sua função de segundo promotor público no Tribunal de Porto Alegre.

Como deputado estadual do PRR, Vargas cumpriu o mandato e foi eleito para um segundo mandato em 1913. Um desentendimento com Borges de Medeiros fez com que Vargas renunciasse ao seu cargo de deputado estadual, só retornando para a função em 1917, depois de ser novamente eleito.

O retorno de Vargas à vida política ocorreu pela reaproximação com Borges de Medeiros. Depois de ser eleito em 1917, foi reeleito em 1921. O novo mandato como deputado estadual foi interrompido porque Vargas foi eleito para ser deputado federal em 1922. Em 1923, estourou uma guerra civil no Rio Grande do Sul e Vargas foi enviado por Borges de Medeiros como tenente-coronel.

Vargas acabou não se envolvendo em batalha e retornou ao Rio de Janeiro, ainda em 1923, para cumprir seu mandato de deputado federal. Em 1926, Washington Luís tornou-se presidente do Brasil e, durante esse governo, Vargas foi nomeado para ocupar o Ministério da Fazenda, posição que ocupou entre 1926 e 1927.

Ainda em 1927, Getúlio Vargas foi escolhido por Borges de Medeiros como seu sucessor na disputa do governo do Rio Grande do Sul. Vargas acabou sendo eleito e assumindo como presidente de estado (governador) em 1928.

Em 1937, após a denúncia de que haveria um plano comunista em andamento, denominado Plano Cohen, foi instaurada a ditadura do Estado Novo. Até 1945, quando o regime esteve em vigor, Vargas deu continuidade à estruturação do Estado, orientando-se cada vez mais para a intervenção estatal na economia e para o nacionalismo econômico. Nessa época, foram criados o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Fábrica Nacional de Motores (FNM), entre outros.

Após a Segunda Guerra Mundial, cresceram as pressões pela redemocratização e Vargas acabou deposto. Ele seguiu atuando como deputado e senador, até se candidatar à presidência, em 1950, e vencer a eleição.

Em seu segundo governo, Vargas retomou a orientação nacionalista, com ênfase na luta para a implantação do monopólio estatal sobre o petróleo, com a criação da Petrobrás. Também houve uma progressiva radicalização política. Vargas enfrentava oposição cerrada por parte da UDN, em especial do jornalista Carlos Lacerda, dono do jornal carioca Tribuna da Imprensa.

Em agosto de 1954, a guarda pessoal de Vargas se envolveu em um atentado contra Lacerda, no qual foi morto o major-aviador Rubem Florentino Vaz. O ocorrido detonou a crise final do governo. Para a investigação do que ficou conhecido como Atentado da Toneleros, foi instaurado um inquérito policial-militar, pelo Ministério da Aeronáutica.

Sob pressão das Forças Armadas, durante reunião ministerial realizada na madrugada de 23 para 24 de agosto, Vargas só teve duas opções: ou renunciava ou era deposto. Ele suicidou-se com um tiro no coração, deixando uma carta-testamento em que acusava os inimigos da nação como os responsáveis por seu suicídio.

Vargas como presidente

(Foto: Presidente Getúlio Vargas no programa A Voz do Brasil)

Quando Vargas assumiu a presidência, ninguém obviamente tinha ideia de que se iniciava um período de quinze anos do político gaúcho na presidência do Brasil. Esses 15 anos são conhecidos como Era Vargas e foram divididos pelos historiadores em distintas fases:

Essa fase da vida de Vargas ficou marcada pelo seu governo personalista, que teve como grandes características: a centralização do poder, a imposição de uma política voltada aos trabalhadores e a capacidade de Vargas de negociação política para manter grupos distintos como aliados de seu governo.

Vargas também realizou alguns incentivos para o desenvolvimento industrial e modernização do país, mas sua trajetória na presidência caminhou para a construção de um regime autoritário. Vejamos alguns dos destaques da vida de Vargas como presidente do Brasil:

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  • Governo Provisório

No Governo Provisório, como o próprio nome sugere, Vargas deveria ter sido apenas um presidente provisório, o qual organizaria uma Constituinte e uma eleição para eleger um novo presidente. Os desejos de Vargas, por sua vez, não estavam alinhados com os do grupo que o colocou na presidência.

As ações de Vargas foram no caminho da centralização do poder e da imposição de um regime autoritário. O Poder Legislativo foi dissolvido de suas funções a níveis regionais e também a nível nacional, e as iniciativas de realização de uma nova Constituição e, por conseguinte, de uma eleição presidencial foram deliberadamente retardadas por Vargas.

A ideia de Vargas era reformar totalmente o sistema político, de forma a enfraquecer as elites regionais do Brasil e, assim, manter-se no poder a longo prazo. Vargas teve de lidar com a oposição de grupos insatisfeitos com sua política e enfrentou uma revolta paulista na Revolução Constitucionalista de 1932.

Em outubro de 1932, conseguiu assegurar a vitória sobre os paulistas, mas, mesmo vitorioso, realizou concessões que inauguraram uma nova fase do seu governo. Vargas convocou eleição para formação de uma Constituinte, e esta, quando formada, promulgou a Constituição de 1934. Vargas conseguiu prolongar-se no poder ao ser reeleito indiretamente para presidente por mais quatro anos.

  • Governo Constitucional

(Foto: Getúlio Vargas e Darci, sua esposa, durante um evento no Rio de Janeiro, em 1935)

O Governo Constitucional, aparentemente, deveria ter sido a fase em que Vargas governaria o Brasil de maneira democrática, mas o cenário radicalizado da política brasileira fez com que o presidente impusesse sua estratégia de implantar um Estado autoritário com o poder concentrado em suas mãos.

Vargas enfrentou a atuação de grupos políticos de orientação fascista, como o integralismo, e comunista, como a Intentona Comunista. Por essa razão, ele acelerou a tomada de medidas autoritárias utilizando-se da justificativa de que elas eram necessárias para conter a “ameaça comunista”. Vargas conseguiu explorar o temor da população com o comunismo para impor seu autoritarismo.

Tudo isso culminou no plano de Vargas para permanecer no poder. Em 1938, aconteceria eleição presidencial no Brasil e Vargas não poderia concorrer à reeleição. Então, Vargas utilizou-se do Plano Cohen, um documento falso sobre uma suposta revolta comunista, para realizar um autogolpe no país. A eleição de 1938 foi anulada, Vargas impôs uma Constituição autoritária e iniciou o Estado Novo.

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  • Estado Novo

O Estado Novo foi a fase mais autoritária da carreira de Getúlio Vargas, o que fez dele o único civil a governar o país durante uma ditadura. Contou com o apoio do Exército, e seu governo possuía algumas características que o aproximavam do fascismo, embora o Estado Novo não tenha sido de fato um regime fascista.

Vargas tentou, durante esse período, implantar um projeto de modernização do país à força. Qualquer tipo de oposição não era tolerado pelo presidente, que implantou um grande aparato de repressão. A censura era algo importante na manutenção dessa ditadura, e o próprio Vargas criou uma agência que cumpria esse papel – o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

Nesse período, Vargas também negociou diretamente com o governo americano para que os Aliados contassem com o apoio do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Durante o período do Estado Novo, Vargas sustentou-se contando com o apoio do Exército, mas quando este começou a distanciar-se de Vargas, o presidente foi perdendo poder. O próprio Exército forçou Vargas a renunciar à presidência em 1945.

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Vargas após a renúncia

Depois de renunciar, Vargas não se afastou da política e manteve-se como uma figura presente, preparando o caminho para que pudesse retornar à presidência no momento certo. O primeiro passo foi ordenar a criação de um partido – o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – que orbitaria sobre seu legado político.

Além disso, Vargas aproximou-se do Partido Social Democrático (PSD), apoiando o candidato desse partido (Eurico Gaspar Dutra) à presidência. Vargas acabou sendo eleito senador pelo Rio Grande do Sul pela legenda do PSD. Entre 1946 e 1949, Vargas dividiu seu tempo entre sua casa no Rio Grande do Sul e a política.

Segundo governo e o suicídio de Vargas

(Foto: Getúlio Vargas em visita a Minas, poucos dias antes de cometer suicídio em 1954.)

Vargas montou sua estratégia para a eleição presidencial de 1950 de maneira perfeita. Aproximou-se de Ademar de Barros, um político que tinha ganhado influência em São Paulo, e conseguiu vencer seus adversários, que foram Cristiano Machado (PSD) e Eduardo Gomes (UDN). Foi eleito com quase 49% dos votos.

O segundo governo de Vargas foi, portanto, democrático, e ele tentou governar dentro dos limites constitucionais. Todavia, a oposição da União Democrática Nacional (UDN) fez com que esse período ficasse marcado por crises políticas. Antes mesmo de ser empossado, a UDN já criava obstáculos para o político gaúcho.

Nesse governo, Vargas procurou defender uma política econômica nacionalista que dava prioridade para que a exploração dos recursos nacionais fosse realizada por empresas estatais e que o capital estrangeiro tivesse influência reduzida. Também defendia que o Estado deveria interferir constantemente na economia como forma de garantir o desenvolvimento econômico do país.

Procurou aproximar-se dos trabalhadores como forma de garantir sustentação ao seu governo, mas fracassou. A crise política e os ataques da UDN enfraqueceram o governo de Vargas. Em 1954, um dos opositores políticos de Vargas, chamado Carlos Lacerda, sofreu um atentado e descobriu-se que o mandante era o chefe de segurança do palácio presidencial. Para saber mais, leia: Atentado da Rua Tonelero.

Isso foi um verdadeiro escândalo nacional e amplificou a crise do governo. Vargas ficou acuado com os ataques e os pedidos de renúncia. No dia 24 de agosto, em seu quarto no Palácio do Catete, Vargas atirou contra o próprio coração e, assim, pôs fim a sua vida cometendo suicídio. Deixou uma carta-testamento justificando sua ação e defendendo seu governo.

Em um trecho da sua carta testamento, Vargas fala que:

Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.|1|

funeral de Vargas mobilizou milhares de pessoas, e o clima de comoção que se espalhou pelo Rio de Janeiro forçou os opositores de Vargas a recuarem. O pivô da crise, Carlos Lacerda, acabou fugindo do Brasil. Depois do suicídio de Vargas, o legado político do varguismo foi continuado por meio de João Goulart, conforme apontam muitos historiadores.

Fontes: Brasil Escola & Zukka Brasik

 

 


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