A poesia de Robson Aquino - O Retorno a Galope

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Domingo, 30 de Agosto de 2020 07:52
Categoria: Movimento Cultural - Cultura, Eventos e festas


A seca é cruel não mede sofrência; Arrasa com a terra sem pena nem dó; Pintou-se de cinza, minha Sanharó
Blog do Abelhudo

O Retorno a Galope 

A Poesia de Robson Aquino (*)

 

O Retorno a Galope

Nasci numa terra pequena e ordeira

No meio do agreste central

A seca empurrou-me para capital

Deixei o que tinha lá no pé da serra

Uma vaca, um cavalo, três acres de terra

Um radio ABC que alegrava o lugar

Num canto da sala, esperando eu voltar

A faca, a enxada, foice e picareta

Minha sela, uma espora, gibão e perneta

Nos dez de galope na beira do mar

 

A seca é cruel não mede sofrência

Arrasa com a terra sem pena nem dó

Pintou-se de cinza, minha Sanharó

Calou-se o golinha, concriz e azulão

Secou o barreiro, rio, cacimbão

O milho e o feijão não chegaram a brotar

O sol castigava sem aliviar

Uma nuvem de areia cobria o roçado

Se foram os vizinho de todos os lados

Nos dez de galope na beira do mar

 

Mas nada é pra sempre e a vida dá voltas

Os dias escuros se encheram de luz

Metade do peso, pesou minha cruz

O que era seco ganhou uma cor

O sol foi embora e a chuva voltou

Com ela a alegria invadiu meu lugar

Comprei a passagem de volta pra cá

Peguei o destino, agora inverso

Se Deus ajudar, nunca mais regresso

Nos dez de galope na beira do mar.

(*) Autor: Antonio Robson Maciel de Aquino é sanharoense, poeta, compositor e escritor...É colaboraodr ORIGINAL do Blog oabelhudo. (Cenário da foto: Pedra Furada em Venturosa-PE).

 - Fotos do acervo do autor.  Desenho: Os imigrantes, de Cândido Portinari


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