Fui passear em Mulungu - Por Nilson de Asa Branca

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Domingo, 25 de Outubro de 2020 09:11
Categoria: Movimento Cultural - Cultura, Eventos e festas


Memória de muluguenses. O que eu vi e com quem encontrei
Blog do Abelhudo

MULUNGU E MEMÓRIA

Fui visitar Mulungu

De família hospitaleira

Eu cheguei de manhãzinha

Da quarta pra quinta feira

Pra cantar com Zé de Mila

Quer ele queira ou não queira.

 

Quer ele queira ou não queira

Eu ouvi uma canção

Era Elis no violão

Oh, cantora de primeira!

E pensei em Joãozinho Soares

Na descida da ladeira.

Eu passei lá na igreja,

Nossa Senhora mandou

Me sentei na mesma banca

Que Germino se sentou

Na mente veio Zé Camilo,

Antônio Lau era um amor

Quanto mais o tempo passa

Mais eu lembro do senhor.

 

Visitei o cemitério

Que Petrônio se enterrou

Rezei pra dona Erineia

E pra alma de Damastor

Me lembrei de Antônio de Pádua

E visitei o bangalô.

 

Visitei o bangalô

Aonde dei um cochilo

Pra rever uma fazenda

Com um passado de brilho

E as lágrimas caíram dos olhos

Só pensando em Otacílio.

 

Aricélio tu lembras

Que me encontrava com te?

Eu ia pra Belo Vale

Trabalhar à Zé Laci

E vi muita moça bonita

Lá na fazenda de Si.

 

Lá da fazenda de Si

Atravessava o Liberal

Passava em Pedro Aprígio

Fazenda sensacional

E comprei muita rapadura

Na venda de Luís Lau.

 

Na venda de Luís Lau

Um lugar que eu explico:

Trabalhei a Ciço Moge,

Mas por ali eu não fico

Muitas vezes eu atravessei

A serra de João de Chico.

 

Da serra de João de Chico

Eu seguia a mesma linha

Pra rever o meu passado

Que a muito tempo eu não vinha

E dei um abraço apertado

Em José de Sinhazinha.

 

De José de Sinhazinha

Fui seguindo por ali

Visitei seu Zé Leôncio

E fui parar em Valdemir

Um fazendeiro correto

O orgulho dos Lilí

Ele morava em Pesqueira

E habitava por ali.

 

Que habitava por ali

Eu conheci um casal

De grande repercussão

Eu trabalhava pra eles

Em uma grande construção

Maria e Seu Rafael,

Hoje se encontram no céu

E moram em meu coração.

 

Me despeço dos Barreiros

E deixo um abraço pra tu

Vou passar lá em Seu Brás,

Seu Miguel e Mulungu

E os grilos roendo a mente

Pra lembrar de João Lulu.

 

Pra lembrar de João Lulu

Vou tomar uma cerveja,

Uma dose de pitú

Rinaldo eu chorei com pena

Porque não encontrei tu

Quando eu passava eu falava

Com Lau, Vicente e Salu.

 

Falar de celebridade,

Chico Preto veio primeiro

Eu não sei se no palmeiras

Já vi Chico de goleiro

Mas achava tão bonito

Chico cantando os benditos

Do padim de Juazeiro.

 

Eu não sei se eu tô errado

Ou cumprindo o meu papel

Lala, Sebastião e Saturnino,

Jeneci, Geraldo e Juvino

Todos se encontram no céu

Jesus sabe o que faz

A todos que falei em memória

Que a alma descanse em paz.

 

Quando eu tô em Mulungu

Eu nunca me sinto só

Mas vou pra minha cidade,

Minha linda Sanharó

E pra minha infelicidade

Trouxe léguas de saudade

Do amigo Zé de Godó.

(*) Autor: José Nilson Melo - Nilson de Asa Branca é poeta  sanharoense. É filho do poeta repentista Asa Branca. Na foto acima, o poeta e seu filho o músico trompetista Niraldo Melo.


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