Brasileiros do Ano - Profissionais de Saúde

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Domingo, 20 de Dezembro de 2020 07:39
Categoria: Perfil - Pessoas


Em 2020, o enfrentamento à Covid-19 fez a direção da Revista optou por enaltecer os profissionais de saúde.
Blog do Abelhudo

BRASILEIROS DO ANO 2020

 

(O médico Luiz Henrique Mandetta, levou à sua escolha como o grande premiado)

 

Empatia por curar pessoas

A ISTOÉ tem a tradição de homenagear ao fim do ano os destaques na sociedade brasileira. Em 2020, o enfrentamento à Covid-19 fez a direção da Revista optar por enaltecer os profissionais de saúde. A postura exemplar do ex-ministro da Saúde, o médico Luiz Henrique Mandetta, levou à sua escolha como o grande premiado. Ao defender a vida, mantendo o seu juramento de médico, ele enfrentou o negacionismo e a irresponsabilidade do presidente Bolsonaro. Outros profissionais da saúde também tiveram destaque no combate à pandemia. São eles: a biomédica Jaqueline Goes de Jesus, a médica pneumologista Margareth Dalcolmo, o médico hematologista Dimas Covas e a médica Dulce Pereira de Brito

 

(Continua valendo: Usem máscara; Lavem as Mãos; Fiquem em Casa...)

 

BRASILEIROS DO ANO – SAÚDE

Em todo o planeta há um desejo unânime pela cura da Covid-19 que é a maior tragédia contemporânea da humanidade. Ao todo, são 73,6 milhões de infectados e 1,6 milhões de mortos, no mundo. O Brasil é o País com o segundo maior número de vítimas: já passou de 184 mil mortos, além de quase 7 milhões de pessoas contaminadas. O ano foi marcado pela luta dos profissionais de saúde. Portanto, nada mais legítimo do que premiar quem esteve na linha de frente do combate ao coronavírus. O maior homenageado por ISTOÉ, na edição dos “Brasileiros do Ano”, é o médico e ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Aos 56 anos, manteve seu juramento de médico e defendeu a ciência e as vidas dos brasileiros. Mesmo que para isso tivesse de enfrentar a insanidade do seu chefe, o presidente Bolsonaro. Como resultado do embate, foi demitido em abril, no auge da pandemia. Mandetta foi a referência ética para um País que expôs suas mazelas, especialmente devido a incompetência das suas autoridades. Junto com o ex-ministro são reverenciados: a biomédica Jaqueline Goes de Jesus; a médica pneumologista Margareth Dalcomo; o médico hematologista Dimas Covas; e a médica clínica-geral Dulce Pereira de Brito.

Mandetta estava no mais alto posto da saúde pública quando a Covid-19 chegou ao País. Cabia a ele utilizar toda a sua expertise científica para pensar nas ações mais eficazes para o combate ao vírus. Era algo novo no mundo e a literatura médica não seria suficiente para oferecer soluções. Em entrevista, à ISTOÉ, o médico conta que soube desde o início que as medidas necessárias seriam duras. A falta de material para proteção ia exigir disciplina das pessoas para ficar no isolamento social e, assim, evitar a transmissão. Ele foi obrigado a se posicionar ostensivamente contra a postura irracional do presidente, provocando um embate público inédito entre o ministro e o mandatário que se mostrava desqualificado para enfrentar a crise. Enquanto Bolsonaro afirmava que menos de 800 pessoas morreriam e que era só uma gripezinha, o ministro aconselhava a fazer um esforço colaborativo com toda a sociedade porque “poderiam morrer mais de 180 mil pessoas”, conforme ele avisou ainda em março. Mas Mandetta revela que o presidente preferia ouvir outras pessoas menos qualificadas. O então ministro chegou a explicar de forma didática. “Nosso inimigo era o vírus. Mas Bolsonaro preferiu criar novos inimigos. Ele atacou governadores, prefeitos, STF e ainda sugeriu que a China fazia um complô internacional”, disse. Além da discordância pública, a vaidade do presidente ficou abalada. Mandetta era, naquele momento, a personalidade mais importante do governo. Algo natural para a circunstância. Hoje, inclusive, ele tem o segundo nome mais procurado no Google durante 2020 no Brasil.

(Hoje o número de óbitos se aproxima dos 190 mil brasileiros...)

Apesar do obscurantismo de Bolsonaro, o ex-ministro não esteve só na luta contra o coronavírus. O País viu se destacarem outros profissionais que são homenageados como “Brasileiros do Ano”, por ISTOÉ. A coordenadora médica de saúde populacional do Hospital Israelita Albert Einstein e clínica geral, Dulce Pereira de Brito, implantou um projeto de apoio psicológico que já atendeu mais de 10 mil pessoas. A plataforma Ouvid busca a promoção de calma, resiliência e esperança. Os usuários podem acessar podcasts, meditações guiadas e dicas para exercícios físicos. Tudo para amenizar o sofrimento causado pela Covid-19. Outro destaque é a biomédica Jaqueline Goes de Jesus, do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), que liderou a equipe que fez o sequenciamento genético do vírus, após 48 horas da confirmação do primeiro caso no Brasil, em 26 de fevereiro. Trazendo muita esperança, o médico hematologista e diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, é outro que se destacou como um dos principais responsáveis pelo plano de vacinação do Estado de São Paulo. Com início marcado para o dia 25 de janeiro, a imunização utilizará a vacina Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan. A médica pneumologista Margareth Dalcolmo é outra referência no combate à Covid-19. Pesquisadora da Fiocruz, ela defende “uma revolta da população” para exigir a apresentação imediata de uma vacina. Profissionais dessa envergadura salvam vidas diariamente.

Na política, no entanto, o presidente Bolsonaro continuou negando as evidências científicas. “Nunca pediu desculpas por qualquer atrocidade que tenha dito. Nem demonstrou empatia ou tristeza pela morte das pessoas”, diz Mandetta. No lugar do médico respeitado pela população, está agora o general Eduardo Pazuello. Mandetta critica a escolha. “É a mesma coisa que você colocar um médico para comandar uma guerra. A gente não sabe matar. General não sabe cuidar da saúde das pessoas”, explica. O ex-ministro lembrou de episódios ao longo do ano que demonstraram o perfil perverso do presidente. “Bolsonaro abandonou a saúde. Ele lavou as mãos, falou várias vezes que entre saúde e economia ele optava pela economia”, disse. Também lembrou dos episódios em que Bolsonaro chamou de “maricas” quem tivesse medo do coronavírus e das vezes em que o presidente foi as ruas sem máscara.

Quando foi demitido, Mandetta agradeceu a oportunidade de ter chefiado o Sistema Único de Saúde (SUS). Ele atribui ao órgão o fato de não terem morrido mais pessoas. “O SUS foi o grande vencedor contra as loucuras do presidente”. Ele diz que é necessário um plano de contenção urgente até que a vacina não chegue. “A segunda onda virá a partir de abril. Até lá, precisamos ter 70% da população vacinada”. No entanto, o ex-ministro afirma que o governo Bolsonaro tem trabalhado contra a vacina que está mais próxima de aprovação por conta do interesse político. “O presidente torce contra a vacina chinesa, fabricada no Butantan. Ele até comemora quando algo sai errado. Isso vai custar a vidas de pessoas”, disse o ex-ministro lembrando que será preciso comprar todas as vacinas que estiverem disponíveis, sem qualquer tipo de preconceito. Mandetta respirou fundo ao dizer que “imunizar todos os médicos, profissionais dos hospitais, idosos, diabéticos, hipertensos, enfim todo o grupo de maior risco”, seria a melhor solução para uma recuperação econômica. Ele diz que não é possível afirmar se a pandemia está no fim. E que mesmo uns dois anos após a vacinação massiva será necessário acompanhar o vírus.

Com tamanha exposição, a hipótese do ex-ministro ser candidato a presidente fica muito evidente. Mandetta não foge ao tema. “Se precisar que eu seja o porta-voz de algo que eu acredite, eu serei”, disse Mandetta. Analisa que o eleitor vai repensar o voto nos outsiders. “As experiências com: Collor, Dilma e Bolsonaro não foram positivas”, afimou o médico. Mandetta disse estar preocupado com os caminhos da economia nacional. “Há um perigoso ciclo inflacionário se iniciando e uma irresponsabilidade fiscal que pode jogar milhões de pessoas para pobreza extrema”. Ele ainda acrescenta que a “anestesia” do auxílio emergencial não vai continuar. E, quando passar a dor pode ser maior. Sobre os próximos dois anos, ele acredita que o mandatário continuará sendo “um presidente pequeno, obtuso, de raciocíonio primário, inconsequente e vai ser lembrado como tudo que não se deve fazer”.

Luiz Henrique Mandetta
 

Preservar vidas

Eleito o “Brasileiro do Ano” por ISTOÉ o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta sintetizou a emoção dos profissionais de saúde homenageados. “Eu acompanho a revista. Fico ansioso para saber quem traduz melhor o sentimento de todo um ano vivido. É uma grande honra receber esse reconhecimento. Pena que tenha sido um ano marcado por um trabalho interrompido”. Mandetta enfrentou o presidente Bolsonaro no início da pandemia e se tornou a voz mais importante na batalha da ciência em busca da preservação de vidas contra os negacionistas. Ele é médico ortopedista, tem 56 anos e entrou na política como secretário municipal de Saúde de Campo Grande, em 2004. Depois, foi eleito deputado federal por dois mandatos (2011 a 2018). Mandetta é filiado ao DEM, mas preferiu não disputar as últimas eleições. Ele disse que ficou surpreso com o convite para ser ministro da Saúde. Prodígio, ele mudou para o Rio de Janeiro aos 17 anos para cursar medicina na Universidade Gama Filho. Posteriormente, fez especialização em Atlanta (EUA) pelo Scottish Rite Hospital. Hoje, o ex-ministro é um dos nomes discutidos para enfrentar Bolsonaro nas urnas em 2022.

Fonte: Revista IstoÉ - https://istoe.com.br/empatia-por-curar-pessoas/


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