História do Trem - O Sonho Azul

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Domingo, 14 de Fevereiro de 2021 07:07
Categoria: História; Curiosidades; Outros


Em 1975 foi inaugurado o Sonho Azul, um trem de luxo, que fazia uma viagem por semana entre Recife e Fortaleza
Blog do Abelhudo

Uma coisa que pouca gente sabe: Desde o início dos anos 70, havia uma linha de trem entre o Recife e Fortaleza, chamada de  Expresso Asa Branca, operado pela Rede Ferroviária do Nordeste. Em 1975 foi inaugurado o Sonho Azul, um trem de luxo, que fazia uma viagem por semana entre as duas capitais. 

Justificando seu nome, os vagões eram pintados de azul royal. Para enfrentar as muitas horas da viagem, uma completa estrutura, como poltronas reclináveis e acolchoadas, ar condicionado, sistema de som, banheiros e outros confortos, menos as cabines-leitos já muito usadas nos trens da Europa.

O Sonho Azul tinha um vagão restaurante. Fui um dos convidados para a viagem inaugural, que acabou sendo um fiasco. Logo no início, o ar condicionado pifou, o calor era infernal. Em Gravatá, veio e informação de que a viagem continuaria no calor; o conserto só seria feito em Fortaleza. 

Junto com a maioria dos convidados, desci. Um dos convidados mandou buscar seu carro no Recife para nos levar de volta. Depois de muito esforço para conseguir fazer uma ligação por telefone, numa época em que o celular nem sonho era. As passagens eram caras e cobradas por trechos, que eram muitos no roteiro. 

O Sonho Azul se tornou altamente deficitário circulou por apenas dois anos.

Fonte: Coluna de João Alberto no DP

MEMÓRIAS DO TREM SONHO AZUL

Quem atualmente viaja de avião ou ônibus para outros estados do Brasil provavelmente nunca parou para imaginar como seria percorrer grandes percursos dentro de um trem. O que parece longe da realidade brasileira atualmente, era comum em meados do século passado. Em Fortaleza, na década de 1970, se destacou a linha Expresso Asa Branca, que interligava Fortaleza e Recife, em homenagem ao rei do Forró. Mas o que fez essa linha entrar para a história da ferrovia foi a inauguração, em 1975, do trem Sonho Azul, que circulou neste trecho com um diferencial: sua estrutura luxuosa.

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Um restaurante dentro do trem, com serviços de garçons, além das poltronas reclináveis e acolchoadas, ar-condicionado, sistema de som, banheiros e muitas outras opções que tornavam a viagem de longa distância mais agradável possível”, conta o pesquisador Hamilton Pereira, ex-funcionário da Rede Ferroviária federal S/A e coautor do livro Estradas de Ferro no Ceará.

 

Devido aos benefícios oferecidos na viagem, o Sonho Azul era um trem de alto custo, em sua manutenção e funcionamento, e isso resultava em um alto custo também para seus passageiros. “As viagens eram pagas por trechos, além disso, a guerra entre árabes e israelenses interferiu diretamente no fornecimento de combustível, e as locomotivas eram alimentadas, principalmente, pelas reservas de petróleo da Arábia. Por isso, o Sonho Azul circulou por aproximadamente dois anos apenas”, conta Hamilton.

A extinção das linhas de trem de longa distância devido aos custos elevados não aconteceu somente em Fortaleza. “No Brasil, os custos de manutenção e operação dos trens era muito alto e a RFFSA via nos trens de cargas mais lucratividade do que nos trens de passageiros. Aqui no Ceará, ela entrava com, pelo menos, 70% dos gastos, já que as passagens eram muito baratas e não cobriam as despesas. Além disso, não houve modernização dos cargos, tornando o trem obsoleto e perigoso”, explica o pesquisador. Em 1988, a RFFSA extinguiu por completo os trens de longa distância.

Atualmente, o transporte de passageiros sobre trilhos no Brasil se concentra nas capitais e regiões metropolitanos. No entanto, ainda existem duas linhas que transportam passageiros em viagens interestaduais: a Estrada de Ferro Vitória a Minas e a Estrada e Ferro de Carajás, ambas administradas pela Vale. A primeira transporta passageiros entre as capitais Vitória (ES) e Belo Horizonte (MG), e tem opções de classe econômica ou executiva. E a linha Carajás interliga as cidades de Paruapeba (PA) e São Luis (MA)

Fonte: Sebastião Valdemir MOURÃO - Professor Mourão


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