Um Nobel para o Brasil

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Quinta-feira, 27 de Maio de 2021 08:38
Categoria: Crônica, História, Efemérides, Causos e casos


Agora, espera-se que os tempos sejam outros e a Academia Sueca possa entregar o prêmio ao agrônomo brasileiro Alysson Paulinelli. 84 anos, que comando
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Um Nobel para o Brasil. E não é para Lula (*)

-  (Agora, espera-se que os tempos sejam outros e a Academia Sueca possa entregar o prêmio ao agrônomo brasileiro Alysson Paulinelli. 84 anos, que comandou a grande mudança na agricultura tropical)

Este ano o Prêmio Nobel da Paz tem a oportunidade de deixar o clubinho ideológico para oferecer a comenda a um brasileiro que não fez discursos, mas produziu uma revolução no campo de seu país que melhorou a qualidade e aumentou a quantidade de alimentos disponíveis para o Brasil e para o mundo.

Infelizes seríamos se a Academia Sueca do Nobel concedesse o prêmio da Paz ao ex-presidente Lula – como foi proposto por seus admiradores de esquerda e tido como mártir desse campo político. Ao invés de pacificar o país, ele estimulou a divisão dos brasileiros entre “Nós e Eles”.

Corretos estavam os suecos quando pensaram em colocar Dom Hélder Câmara na lista dos nobéis da paz por sua atuação da luta pelos direitos humanos nos anos de chumbo da ditadura militar. Os “libertários” súditos da Coroa sueca, no entanto, sucumbiram à pressão dos militares brasileiros e desindicaram Dom Hélder.

Agora, espera-se que os tempos sejam outros e a Academia Sueca possa entregar o prêmio ao agrônomo brasileiro Alysson Paulinelli. 84 anos, que comandou a grande mudança na agricultura tropical. De 1974 a 1979, no governo militar de Geisel, o mineiro Paulinelli foi ministro da Agricultura. Neste período, o Brasil foi palco da maior revolução agrícola tropical sustentável da história. Alysson Paulinelli foi o visionário que vislumbrou e plantou essa grande mudança, focada inicialmente nos cerrados do Centro-Oeste.

Com a revolução agrícola, diz a Confederação Nacional da Agricultura, Paulinelli colocou o Brasil no caminho da autossuficiência alimentar, pois até então importávamos alimentos básicos. E a maior oferta de comida reduziu o custo relativo da alimentação dentro do orçamento familiar e liberou renda para outros consumos.

Assim, aquela reviravolta histórica também promoveu crescimento econômico sustentado, melhoria social, vida mais saudável e avanços no bem-estar para as populações rural e urbana. E ainda fez do Brasil o maior exportador mundial de alimentos básicos. Foi o idealizador e implantador do agronegócio nacional que tem despertado a cobiça do mundo.

A revolução agrícola tropical sustentável perdura até hoje. Continua se expandindo. De 1975 a 2020 a produção cresceu 384% e a produtividade aumentou 500%, segundo números do setor.

Paulinelli também modernizou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e ajudou no desenvolvimento do Proálcool. Em 1975, ele criou a Embrapa Semiárido, instalada em Petrolina (PE), para atuar no Semiárido Tropical. Naquele momento, o cenário vigente na região era de deficiência de conhecimentos tecnológicos e de infraestrutura, sendo este um dos principais entraves para o desenvolvimento da agropecuária.

Ao longo de sua história, a Embrapa Semiárido vem executando ações de pesquisa e desenvolvimento nesse espaço, mantendo um abrangente programa de geração de conhecimentos, de tecnologias e de inovação para as áreas secas do Nordeste, com foco na sustentabilidade da agropecuária, preservação ambiental e a melhoria dos índices sociais do Semiárido brasileiro, registra o site da empresa.

Posteriormente, Paulinelli presidiu a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e elegeu-se deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 1986, fazendo parte da Assembleia Nacional Constituinte de 1987 a 1988. Foi chefe da Delegação Brasileira na Conferência Mundial de Alimentos da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) e presidente da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior do Brasil.

Em 2006, Paulinelli foi laureado com o prêmio World Food Prize, que condecora personalidades que contribuíram significativamente para o aumento da qualidade e da quantidade de alimentos no mundo. Hoje, é presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) e do Instituto Fórum do Futuro, além de embaixador da Boa Vontade do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Em 2021, ele foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) que encaminhou sua candidatura ao Comitê do Prêmio Nobel com apoio da CNA e de 24 entidades do agro brasileiro.

“Isso me traz um alento, um orgulho muito grande, não pessoal, mas me convenci de que ninguém faz nada sozinho. Hoje, eu tenho a absoluta certeza de que se eu tivesse que nascer e viver tudo o que vivi, eu iria fazer tudo de novo”, disse Paulinelli.

O reconhecimento da agronomia nacional também iria deixar muito satisfeito Hélio Didier de Moraes (1924-2015), agrônomo pernambucano que dedicou toda sua vida profissional a este importante segmento da economia nacional. É isso.

(*) Autor e Fonte:  Antonio Magalhães Jornalista - 


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