Energia Elétrica - Fantasma de novo apagão

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Domingo, 06 de Junho de 2021 06:36
Categoria: Artigo Opinião Pensamento


Crise Hídrica - Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico, que gerencia o sistema elétrico brasileiro, o quadro é o mais grave em nove décadas.
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CRISE HÍDRICA

Fantasma de novo apagão

(PELA ÁGUA Do total exportado pelo Nordeste, 40% são das usinas da Chesf, como Sobradinho. Este ano, reservatório chegou a 94% de capacidade)

Foi assim. O ex-deputado, senador e ex-ministro do TCU José Jorge era ministro de Minas e Energia quando, no começo de maio de 2001, recebeu um relatório sobre a situação dos reservatórios brasileiros. Matemático de formação e com Doutorado, Jorge pegou o documento e foi ao presidente Fernando Henrique Cardoso com um veredicto que se tornaria histórico: Presidente, vamos ter um apagão.

O que aconteceu depois ficou na história. No mesmo dia, FHC retirou o ministro Pedro Parente da chefia da Casa Civil e foi coordenar o 'Ministério do Apagão!'.

Parece claro que, ironicamente, e exatamente 20 anos depois do apagão de FHC, o também ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, levou um relatório semelhante ao presidente Jair Bolsonaro. E a maior prova disso foi que, no dia 10 de maio, numa conversa com apoiadores, o presidente levantou o tema com a frase 'Demos mais um azar aí', ao justificar a falta de chuvas no País. Era uma conversa informal com apoiadores, mas Bolsonaro resumiu bem a crise: "Estamos vivendo a maior crise hidrológica da história. Eletricidade. Vai ter dor de cabeça. Não chove, né? É a maior crise que se tem notícia."

O que diferencia a atitude de Bolsonaro da tomada por Fernando Henrique; e a de José Jorge, da de Bento Albuquerque é que, 20 anos depois, o Brasil tem um sistema muito mais robusto do que tinha em 2001. A interligação de sistemas permite a transferência inter-regional de grandes blocos de energia e a própria matriz energética teve o acréscimo de novas fontes como eólica e solar.

Também estamos longe da necessidade, ao menos até agora, do extremo de um racionamento, como o adotado a partir de 1º de julho de 2001 - que durou até fevereiro de 2002, ano em que o "Apagão do Governo FHC" ajudou o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva a ganhar a eleição.

Jair Bolsonaro parece estar assustado com a possibilidade de precisar gerenciar um racionamento de energia, e ironicamente é o mesmo Lula quem está acusando-o de não ter viabilizado os investimentos necessários para evitar uma crise grave.

Bento de Albuquerque foi à imprensa afirmar "categoricamente" que "o Brasil não está à beira de um novo apagão".

Apagão não, mas a conta de energia já subiu a partir deste mês em R$ 6,24 por cada 100 kWh consumidos. Uma família que use 500kWh vai ter aumento de R$ 31,20, independentemente se a distribuidora fizer o reajuste anual.

O problema é que isso é só o começo. Com o nível de reservatórios, o governo Bolsonaro vai ter que enfrentar além dos problemas com a pandemia do coronavírus, a questão da seca.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que gerencia o sistema elétrico brasileiro, o quadro é o mais grave em nove décadas. E é grave porque o período de chuvas terminou e o volume de água, que ele chama de energia armazenada é o mais baixo em 20 anos.

(*) Autor/Fonte: Jornalista Fernando Castilho - Editor da Coluna JCNegócios do JC, onde foi originalmente publicado.


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