Frei Caneca - 197 anos de sua morte

Por Paulinho Muniz / Dom Pablito

Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2022 23:55
Categoria: História; Curiosidades; Outros


Em 13 de janeiro de 1825, Frei Caneca foi fuzilado, sendo antes, despojado do hábito religioso na igreja do Terço
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História de Pernambuco - 197 anos da morte de Frei Caneca
 
- Em 13 de janeiro de 1825, Frei Caneca foi fuzilado, sendo antes, despojado do hábito religioso na igreja do Terço, tendo três carrascos se recusado a enforcá-lo
 
 
Num dia como hoje, 13 de janeiro, há 197 anos, era executado (por arcabuzamento) diante dos muros do Forte de São Tiago das Cinco Pontas, no Recife, FREI CANECA, jornalista, escritor, maçon, religioso carmelita e líder de dois principais movimentos revolucionários pernambucanos: a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador de 1824. Condenado à morte por D. Pedro I, Frei Caneca gozava de tanta popularidade na província pernambucana que na ocasião da sua execução não houve carrasco que se prestasse a enforcá-lo.
Joaquim da Silva Rabelo nasceu em Recife no dia 20 de agosto de 1779, filho dos portugueses Domingos da Silva Rabelo e Francisca Maria Alexandrina de Siqueira que moravam em Fora de Portas, próximo do demolido Arco do Bom Jesus. Seu pai era tanoeiro – fabricava vasilhames de flandres –, daí viveu uma infância humilde, o que o levou a vender canecas, quando garoto, nas ruas de Recife. Em 1796, aos 17 anos, tomou o hábito carmelita e aos 22, com licença do Núncio Apostólico de Lisboa ordenou-se padre passando a chamar-se Joaquim do Amor Divino, acrescentando o apelido Caneca, em homenagem a seu pai. Foi professor de retórica e geometria e depois de filosofia racional e moral, em Pernambuco e Alagoas.
Frei Caneca foi um dos grandes pensadores literários no momento da Independência brasileira. Vivia em Pernambuco quando da inquietação em torno da separação com Portugal e lugar onde a agitação era maior do que no resto do país. Muito combativo, lutava contra o despotismo (o poder absoluto e autoritário) e as relações de dependência que caracterizavam a situação colonial. No Recife, padres, militares e maçons uniam-se pela emancipação política do Brasil. Muitos viam o fim dos privilégios da metrópole, os pobres viam o fim da aristocracia ociosa, os mulatos ansiavam pelo fim do preconceito e os negros o fim da escravidão.
Frei Caneca foi iniciado na Loja Maçônica Academia de Suassuna e posteriormente filiado à Loja Academia do Paraíso (ambas ainda hoje em funcionamento) da qual se tornou assímio frequentador. Nela reuniam-se homens que lutavam contra o domínio português, influenciados por eventos como a independência dos Estados Unidos (1776) e a Revolução Francesa (1789).
Em 1817, Frei Caneca iniciou sua ação política com a Revolução Republicana em Pernambuco. Com o fracasso do movimento foi preso e enviado para Salvador, sendo libertado em 1821 pelo movimento constitucionalista de Portugal, regressando então a Pernambuco.
Escreveu, em 1822, “Dissertação sobre o que se deve entender por pátria do cidadão e deveres deste para com a mesma pátria” e, em 1823, “O caçador atirando à arara pernambucana” e as “Cartas de Pítia a Damão”.
Redige e publica, também em 1823, o Typhis Pernambucano, jornal de sua propriedade, do qual foi fundador e principal editor. O jornal era semanal e autofinanciado e um veículo usado por Frei Caneca para criticar a situação política do seu tempo e atingir as massas, esclarecendo-as sobre a defesa dos seus direitos.
Em 1824, tornou-se um dos conselheiros da junta de Manuel de Carvalho Paes de Andrade, opinando contra o reconhecimento de Francisco Paes Barreto como presidente de Pernambuco, a favor da invasão de Alagoas e contra o juramento da Constituição outorgada por D. Pedro I. Neste mesmo ano, as províncias do Norte se opõem ao poder imperial formando a Confederação do Equador. Frei Caneca foi um dos seus chefes, e após o seu fracasso, retirou-se para o interior, na companhia de parte das tropas, ocasião em que escreveu o “Intinerário”. Ainda em 1824, foi preso no Ceará e submetido a julgamento pela Comissão Militar.
Em 13 de janeiro de 1825, Frei Caneca foi fuzilado, sendo antes, despojado do hábito religioso na igreja do Terço, tendo três carrascos se recusado a enforcá-lo. A Comissão Militar, liderada pelo brigadeiro Francisco de Lima e Silva (pai do futuro Duque de Caxias), ordenou seu arcabuzamento. Seu corpo foi deixado num caixão de pinho em frente ao Convento das Carmelitas, no centro do Recife, de onde os frades o recolheram e enterraram em um local até hoje não identificado. O poeta e escritor João Cabral de Melo Neto descreveu, em versos, o último dia de Frei Caneca, em sua obra O Auto do Frade.
O muro contra o qual o religioso foi fuzilado, vizinho ao Forte das Cinco Pontas, continua de pé. O local está marcado por um busto e por uma placa alusiva, colocada pelo Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano em 1917. Anualmente, no dia de sua morte, são feitas celebrações para se lembrar seu martírio nesse local com a presença de autoridades, historiadores e membros da Maçonaria pernambucana. Da iconografia sobre Frei Caneca, a obra mais conhecida do público é "Execução de Frei Caneca", de Murillo La Greca. A seu respeito, refere o historiador Evaldo Cabral de Mello: "O homem que, na história do Brasil, encarnará por excelência o sentimento nativista era curiosamente um lusitano "jus sanguinis"." Frei Caneca lutou, acima de tudo, pela igualdade. “Quem bebe da minha "caneca" tem sede de liberdade! Bebamos e nos embriaguemos sem moderação dessa caneca libertária, inspiradora e profundamente revolucionária!
 
Fonte/Autor; História de Pernambuco - Concepção e elaboração do post

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