Blog do Abelhudo

Política, Cultura, Economia e outros conteúdos relevantes

Artigo: – Coronel Augusto Rodrigues Caraciolo – por Luiz Cristóvão dos Santos (*)

Compartilhe em Suas Redes Sociais

Homenagem a Luiz Cristóvão

–  O Blog Oabelhudo faz uma singela homenagem ao escritor Luiz Cristóvão dos Santos.
Nascido em Pesqueira em 25 de dezembro de 1916, faleceu numa segunda-feira, 30 de junho de 1997, em Recife. Filho de Manuel Cristóvão dos Santos, antigo boticário em Pesqueira e de dona Carlinda  de Amélia Abreu dos Santos.
Estudou em Pesqueira e em Recife, onde formou-se em Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito de Recife, em 1944. Foi Promotor de Justiça, cargo que exerceu com competência e denodo. Passou por algumas comarcas, mas foi em Afogados da Ingazeira, no sertão do pajeú, onde criou raízes até se aposentar. Quando faleceu aos 81 anos, era Advogado de Ofício.
–   Integrou os quadros de jornalistas do Diário de Pernambuco e do Jornal do Commercio e publicou  trabalhos na imprensa nacional e italiana. Eclético, tornou-se folclorista e sonetista tendo, inclusive, publicado o livro – Chão da Infância, em 1983.
Com a criação da Academia Pesqueirense de Letras e Artes – APLA. foi indicado como Patrono da Cadeira nº11, cujo primeiro ocupante foi o ilustre jornalista e cronista Jarival Cordeiro do Amaral. Por méritos consagrados,  foi membro da APL – Academia Pernambucana de Letras, tendo ocupado a Cadeira 04, em 16 de março de 1973. Teve a honra de receber, por duas vezes, o Prêmio Othom Bezerra de Mello. Atuava usando dois pseudônimos – Ziul e Pajeú. Vale salientar o reconhecimento da Fundaj – Fundação Joaquim Nabuco que o agraciou com a Medalha  do Mérito, pela sua relevante contribuição à cultura. Em setembro de 1970, a Câmara de Vereadores da Cidade de Recife, lhe concedeu o Título de Cidadão do Recife.
Segundo o escritor pesqueirense Gilvan de Almeida Maciel, cujo trabalho serviu de consulta para esse introdutório, o homenageado recebeu  reconhecimento na Itália pela Ordem dos Frades Menores Capuchinhos da Secília, pela contribuição a elaboração de livros, documentários e filmes nacionais sobre o sertão brasileiro e, como destaque, um estudioso sobre a vida  de Frei Damião.
Da sua lavra, Gilvan registra que lançou cerca de uma dúzia de livros entre os anos de 1950 a 83.
Paralelo ao aqui perquirido, encontramos muitas crônicas que resgatam pessoas e histórias, com essa abaixo relatada que trata de um importante personagem regional, o Coronel Augusto Rodrigues Caraciolo, um grande latifundiário e chefe político  no então povoado e depois vila Sanharó, tendo exercido a vereança na antiga Câmara de Cimbres.

–  Luís Cristóvão dos Santos, da Academia Pernambucana de Letras, em “Caminhos do Pajeú” , escreveu o seguinte sobre o capitão Augusto Rodrigues de Freitas Caraciolo:

“Augusto Caraciolo é rijo e forte, como o miolo da aroeira. Viu a derrubada do Império, assistiu a implantação da república e aos noventa anos, lúcido e são, passeava pelas ruas de Sanharó a sua longevidade, com a mesma afoiteza com que os jequitibás sentem no alto da serra o sopro das ventanias nas ramagens altaneiras”.
Prossegue o escritor com uma entrevista com o capitão Augusto:
-No seu tempo de moço, coronel, quanto valia um moleque de senzala?
– “Dinheiro a juro. Eu não deixava escravo descansar. Nem possuía negra donzela. Tinha que parir moleque, movimentar a senzala”. E acrescentava ainda o velho Augusto: “Tinha meus negros craúnas, pai-de-lote, para reproduzirem”. Já viúvo pela segunda vez, quis saber se desejaria casar novamente:
– Pois não.
– Com alguma viúva, ainda nova e fresca?
– Não.
– E cortando o ar com a mão espalmada
– Não gosto de sobejo de defunto.
– Com quem, então?
– Com moça já madura, de 25 anos…”
Remata o escritor Luiz Cristóvão dos Santos:
“Despedi-me do velho Augusto. Apertei a mão enrugada. Deixei-o evocando o fogo da mocidade, a glória distante da farda da Briosa, de botões dourados e espada brilhando ao sol, sentido já perto a fria mensagem da eternidade. Porque, pouco depois, os jornais noticiaram a sua morte. Um colapso parou traiçoeiramente o velho coração do capitão Augusto. E com ele se foi para sempre, um pedaço da tradição da gente sertaneja.”

Fonte: https://citacoes.in/autores/luiz-cristovao-dos-santos/


Compartilhe em Suas Redes Sociais

Related Posts